Quatro anos após tragédia de Brumadinho, parentes recebem cartas perdidas com palavras de apoio

Amigos e parentes das vítimas do rompimento da barragem da Vale em Brumadinho foram surpreendidos por centenas de cartas de esperança e solidariedade que só apareceram agora, depois de quatro anos.

Essa é a história de uma caixa lá no fundo de um armário. Ninguém sabia de quem era, nem como foi parar lá.

“Quando eu abri a caixa, vi um monte de cartinha. Deixa eu ver para quem que eram essas cartinhas… E a primeira que abri estava assim: ‘Para alguém muito especial.’ Eu até arrepiei’ ”, resume a auxiliar administrativa Jaqueline Silvério.
Ela encontrou 117 “Cartas de Amor para Brumadinho”. Mensagens enviadas em 2019, quando a barragem da Vale se rompeu matando 272 pessoas. A encomenda ficou perdida no meio das doações que chegavam de todo o país.

Com o tesouro em mãos, Jaqueline entrou em contato com a associação que representa as famílias das vítimas.

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As cartas vieram de São José dos Campos e viajaram mais de 500 quilômetros do interior de São Paulo até Brumadinho. Só agora, depois de quatro anos, estão sendo lidas pela primeira vez.

“Deus não abandona um filho. Tenha fé!”. Enquanto lia a cartinha, Sueli de Oliveira Costa fixou o pensamento no marido, que morreu na tragédia.

“Um momento tão difícil, mas uma coisa que conforta tanto o nosso coração. Muita gratidão”, diz ela.
Guilhermo Codazzi é o idealizador do projeto Cartas Perdidas, que leva palavras de aconchego para instituições de longa permanência e hospitais. A notícia do aparecimento repentino da caixa que ele enviou para Brumadinho trouxe surpresa e alegria.

“O amor não sai de moda nem é perecível. Então acredito que essas palavras foram escritas com muito amor, com muita fé e esperança. Elas seguem atuais”, diz Guilhermo.
As cartas agora vão ficar no Centro de Convivência, onde parentes e amigos das vítimas sempre se encontram.

“E ter a certeza que a gente não segue só, que tem pessoas que têm empatia, que têm amor e que seguem junto conosco”, afirma Andreza Rodrigues, parente de vítima.

A menina Alice de Almeida, de 9 anos, leu um trecho:

“Desejo que você tenha muita força e não desanime. Enquanto houver fé, haverá esperança de vencer”.

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