Nas férias: estudar em 15 minutos por dia sem peso nem culpa

Por Evaldo Figueiredo Dória Júnior, professor de língua portuguesa do Colégio Marista Nossa Senhora da Penha 

Quando o calendário anuncia as férias, muitos estudantes, e até alguns adultos, respiram aliviados. Finalmente chega o momento de desacelerar, dormir um pouco mais, viajar, encontrar amigos, aproveitar o tempo sem a rigidez das rotinas escolares. E é justamente por isso que a ideia de “estudar” durante esse período costuma soar como um intruso indesejado. Mas e se estudar não significasse retomar provas, exercícios e obrigações? E se pudesse ser apenas um breve encontro diário com o conhecimento, leve, curioso e sem qualquer culpa? 

Estudar 15 minutos por dia nas férias não é uma meta ambiciosa nem um novo dever. É apenas um convite para manter o cérebro aquecido, como quem alonga o corpo suavemente antes de começar o dia. Não se trata de avançar capítulos, revisar conteúdos ou antecipar o próximo ano. Trata-se de cultivar um hábito de atenção e curiosidade que, quando praticado sem pressão, transforma o aprendizado em algo espontâneo. 

Esses 15 minutos podem acontecer de múltiplas formas, nenhuma delas com cara de obrigação. Um estudante pode assistir a um vídeo curto sobre um tema que gosta, folhear um livro que estava parado na estante, explorar um aplicativo educativo, pesquisar uma curiosidade que surgiu durante uma conversa ou até resolver um pequeno desafio de lógica. Tudo isso mantém a mente ativa sem ocupar espaço demais no descanso. 

O mais importante é permitir que esses minutos sejam guiados pelo interesse pessoal, não pela necessidade acadêmica. É o contrário de estudar “porque precisa”: é estudar porque desperta prazer, porque dá vontade, porque estimula. Ao tirar o peso da cobrança, o conhecimento deixa de ser uma obrigação e passa a ser uma companhia leve nas férias. 

Os educadores sabem que o aprendizado verdadeiro não acontece apenas na sala de aula. Ele se espalha pelos hábitos, pelos encontros, pela forma como observamos o mundo. Por isso, estudar por 15 minutos pode ser até uma forma de relaxamento, uma pausa tranquila entre uma atividade e outra, um momento de curiosidade antes de dormir, uma pequena janela de descoberta no meio da tarde. 

Mais do que reforçar conteúdos, essa prática mantém viva a disposição para aprender. E essa disposição é essencial para que o retorno às aulas seja mais suave, menos brusco e mais motivador. Quem mantém a mente em movimento, mesmo que de forma leve, volta à rotina com mais fluidez, como quem já está em compasso com o próprio ritmo interno. 

Nas férias, descansar é prioridade. Mas descansar, paradoxalmente, não significa desligar-se do mundo. Significa escolher como ocupamos nosso tempo com leveza. Se esses 15 minutos diários ajudarem a alimentar a curiosidade e a manter o cérebro desperto, já terão cumprido seu propósito. 

Afinal, aprender não deveria ser um peso. Também pode e, deve, ser um prazer.

crédito: Portal Conteúdo Aberto

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