Ricardo Nunes, fundador do Grupo R1 e da Ricardo Eletro expõe o erro silencioso que destrói empresas na hora da sucessão
Em um país onde empresas familiares representam a espinha dorsal da economia, a sucessão ainda é tratada, muitas vezes, como um evento, quando, na prática, deveria ser um processo estruturado, contínuo e profundamente estratégico. Mais do que uma simples troca de comando, a sucessão envolve a preservação de cultura, a atualização de visão e a sustentação de resultados em um ambiente cada vez mais competitivo, dinâmico e orientado por dados. Não se trata apenas de quem assume, mas de como a empresa se prepara para continuar relevante. Dados recorrentes do mercado mostram um cenário preocupante: a maioria das empresas familiares não sobrevive à transição entre gerações. Isso ocorre, principalmente, pela ausência de planejamento, governança e preparação de lideranças, fatores amplamente discutidos no ecossistema de gestão de pessoas e liderança empresarial. Para Ricardo Nunes, fundador do Grupo R1 e da Ricardo Eletro, o erro começa na mentalidade. “Sucessão não é transferência de poder. É transferência de responsabilidade, cultura e capacidade de execução. Quem trata como herança, quebra. Quem trata como estratégia, perpetua.” Essa mudança de mentalidade exige que empresários encarem a sucessão não como um tabu, mas como um dos pilares centrais da sustentabilidade do negócio, tão importante quanto crescimento, lucro e expansão. O maior erro: confundir vínculo familiar com competência Historicamente, muitas empresas definiram seus sucessores com base em laços sanguíneos e não em preparo técnico, maturidade emocional ou visão de negócio. Esse modelo, além de limitado, tem se mostrado perigoso. A sucessão exige competência comprovada, repertório e, sobretudo, vivência real de operação. Em um ambiente onde decisões impactam cadeias complexas, times multidisciplinares e mercados altamente competitivos, improviso não tem espaço. “O sobrenome pode abrir a porta, mas não sustenta o negócio. Empresa não é extensão da família, é um organismo que exige performance todos os dias.” afirma, Ricardo Nunes. A profissionalização, portanto, não é uma opção, é uma necessidade. Isso inclui a criação de conselhos, estruturas de governança e critérios claros de avaliação, independentemente do vínculo familiar. Empresas maduras adotam práticas como:- Programas formais de desenvolvimento de sucessores
- Avaliação por desempenho e metas, não por hierarquia familiar
- Experiência obrigatória fora da empresa antes de assumir cargos estratégicos
- Conhecimento estruturado com executivos seniores e conselheiros independentes
- Estratégia: visão de longo prazo, posicionamento e alocação de capital
- Gestão: estrutura organizacional, cultura, indicadores e governança
- Operação: entendimento real do negócio, da jornada do cliente e da entrega
- Formação contínua de lideranças internas
- Exposição progressiva do sucessor à operação
- Participação em decisões estratégicas antes da transição
- Estruturação de governança independente
- Conselho de administração ativo e independente
- Acordos societários claros e atualizados
- Regras de entrada e permanência de familiares
- Avaliação de desempenho profissionalizada
- Mentalidade de dono, mas disciplina de executivo
- Capacidade de inovar sem romper com a essência
- Leitura de mercado, tecnologia e comportamento
- Inteligência emocional para lidar com legado e pressão